A NR-1 passou a ganhar ainda mais relevância nas empresas com as atualizações relacionadas aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
A norma, que estabelece diretrizes gerais sobre saúde e segurança ocupacional, agora amplia o olhar das organizações para fatores como estresse, sobrecarga, pressão excessiva, assédio e desgaste emocional, que também podem impactar a saúde dos colaboradores e os resultados das operações.
Essa mudança acompanha um cenário que já faz parte da realidade corporativa: aumento de afastamentos, queda de produtividade, dificuldades de retenção e impactos no clima organizacional.
Quando os riscos emocionais deixam de ser monitorados, os prejuízos podem ultrapassar questões trabalhistas e afetar o desempenho, a reputação e a sustentabilidade das empresas.
Mas será que grandes organizações estão preparadas para identificar, prevenir e gerenciar riscos psicossociais de forma estratégica?
Nesse artigo, vamos entender o que mudou na NR-1, quais impactos essas mudanças trazem para as empresas, como implementar as exigências na prática e quais os riscos de não cumprimento da norma.
Boa leitura!
O que é a NR-1 e qual sua importância nas empresas?
A NR-1 é a norma regulamentadora que estabelece as diretrizes gerais sobre saúde e segurança do trabalho no Brasil.
Ela funciona como a base das demais NRs, definindo princípios, responsabilidades, treinamentos e processos relacionados à prevenção de riscos ocupacionais dentro das empresas.
Com as atualizações recentes, que entram em vigência em maio deste ano, a norma passou a ter um papel ainda mais estratégico ao reforçar a necessidade de identificar, avaliar e monitorar riscos psicossociais, que impactam a saúde mental dos colaboradores.
Na prática, isso significa que as seguintes questões também passaram a exigir atenção dentro das estratégias de gestão de pessoas:
- Sobrecarga de trabalho;
- Pressão excessiva;
- Jornadas desgastantes;
- Assédio moral ou sexual;
- Conflitos internos;
- Ambientes organizacionais tóxicos;
- Estresse ocupacional;
- Esgotamento emocional.
As exigências da NR-1 se aplicam a empresas de diferentes portes e segmentos que possuam empregados regidos pela CLT.
Por isso, organizações que ainda tratam saúde mental apenas como uma ação pontual de bem-estar podem enfrentar desafios maiores para se adaptar às novas exigências relacionadas ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e ao Programa de Gerenciamento de Riscos.
Como a NR-1 se relaciona com saúde e segurança do trabalho?
Ela fortalece uma visão mais ampla sobre saúde e segurança do trabalho ao integrar prevenção, monitoramento de riscos e gestão organizacional.
Com isso, as empresas passam a olhar não apenas para acidentes e exposições físicas, mas também para fatores que afetam o desempenho, o clima organizacional e a saúde emocional das equipes.
Esse movimento acompanha uma transformação no próprio mercado de trabalho, em que afastamentos por burnout, estresse e adoecimento mental têm impactado produtividade, retenção de talentos e custos operacionais.
Nesse cenário, a NR-1 amplia a responsabilidade das empresas sobre a criação de ambientes de trabalho mais saudáveis, preventivos e sustentáveis.
O que mudou na NR-1 com as atualizações recentes?
As atualizações da NR-1 ampliaram a forma como as empresas devem enxergar a saúde mental do colaborador e a segurança do trabalho.
Além dos riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos, a norma passou a reforçar a necessidade de identificar e monitorar fatores psicossociais que podem impactar o desempenho e a qualidade de vida dos colaboradores.
Isso significa que aspectos relacionados ao impacto mental, emocional e relações interpessoais também entraram no radar da gestão ocupacional e das estratégias preventivas das empresas.
Abaixo, vamos entender melhor o que mudou na NR-1 e qual é o impacto dessas mudanças para as empresas:
| O que mudou na NR-1 | Impacto para as empresas |
| Inclusão dos riscos psicossociais no gerenciamento ocupacional | Empresas passam a avaliar fatores que afetam saúde mental e clima organizacional |
| Reforço do GRO e do PGR | Necessidade de monitoramento contínuo e documentação atualizada |
| Ampliação da prevenção de riscos | Ações preventivas passam a envolver também fatores emocionais e organizacionais |
| Maior integração entre áreas internas | RH, segurança do trabalho, lideranças e gestores precisam atuar de forma mais alinhada |
| Fortalecimento da cultura de prevenção | Empresas precisam acompanhar indicadores e revisar riscos periodicamente |
Essas mudanças acompanham um cenário corporativo marcado pelo aumento de afastamentos relacionados à saúde mental, absenteísmo e presenteísmo, turnover e queda de produtividade.
Por isso, as atualizações também aumentam a necessidade de as organizações revisarem processos internos, fortalecerem políticas preventivas e acompanharem indicadores relacionados ao bem-estar das equipes.
Nesse contexto, a saúde mental deixa de ser tratada apenas como uma iniciativa complementar e passa a ocupar um espaço mais estratégico dentro das organizações.

O que é GRO e qual é a sua função na gestão de riscos psicossociais?
O Gerenciamento de Riscos Operacionais (GRO) é a estrutura prevista na NR-1 para identificar, avaliar, controlar e acompanhar riscos relacionados às atividades realizadas dentro das empresas.
Com as atualizações da norma, ele ganha relevância ao monitorar fatores que impactam não apenas a segurança física dos colaboradores, mas também sua saúde emocional, comportamento e condições de trabalho.
Ao englobar a avaliação de riscos psicossociais, o GRO funciona como uma estrutura contínua de identificação, exigindo que as organizações desenvolvam medidas preventivas alinhadas à realidade das equipes e da operação.
Dentro desse contexto, fatores ligados à organização do trabalho passaram a exigir mais atenção, como:
- Excesso de demandas e pressão constante;
- Jornadas de trabalho extensas;
- Falhas de comunicação interna;
- Falta de suporte emocional;
- Ambientes com alta tensão organizacional;
- Equilíbrio vida-trabalho inexistente.
Quando esses fatores deixam de ser acompanhados, as empresas podem enfrentar dificuldades para identificar sinais de desgaste nas equipes e antecipar problemas relacionados ao ambiente de trabalho.
Nesse cenário, o GRO ajuda a transformar informações dispersas do dia a dia em análises mais estruturadas sobre as condições de trabalho e seus impactos na rotina corporativa.
Além disso, gerenciar esses riscos permite que as organizações acompanhem mudanças internas com mais precisão e ajustem práticas de gestão de forma mais consistente.
O que é PGR e quais informações ele deve conter?
O Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) é o documento que reúne as informações, análises e medidas relacionadas aos riscos identificados pela empresa.
Previsto na NR-1, ele organiza de forma estruturada os dados levantados no GRO e orienta as ações preventivas adotadas no ambiente de trabalho.
O PGR deve conter informações como:
- Inventário de riscos ocupacionais;
- Identificação dos perigos presentes nas atividades;
- Avaliação dos níveis de risco;
- Medidas de prevenção e controle;
- Planos de ação;
- Registro de acompanhamento e revisões periódicas.
Com as atualizações da NR-1, o programa também passa a exigir uma atenção especial aos fatores psicossociais da organização.
Isso inclui a análise de condições organizacionais que podem contribuir para desgaste emocional, conflitos internos, pressão excessiva e outros fatores ligados à saúde mental corporativa.
Qual é a diferença entre GRO e PGR?
A principal diferença entre os dois se dá pela sua atuação.
O GRO é, basicamente, o “cérebro” que pensa e organiza a gestão de riscos, sendo um processo estratégico de prevenção, definindo as diretrizes, métodos e critérios para controlar e prevenir os riscos ocupacionais e psicossociais.
Já o PGR é o “manual” que registra e coloca em prática as estratégias definidas anteriormente, documentando e reunindo o inventário de riscos, além de determinar qual plano de ação deve ser seguido para fortalecer a segurança no trabalho.

Quais são as principais obrigações das empresas na NR-1?
Com as atualizações da NR-1, a gestão de riscos psicossociais passou a exigir uma atuação mais estruturada das empresas.
E o desafio ainda é grande: segundo um estudo realizado pela Swile, muitas organizações afirmam estar preparadas para lidar com saúde mental no trabalho, mas ainda deixam de acompanhar indicadores importantes relacionados à saúde mental exigidos pela norma.
Esse cenário mostra que iniciativas isoladas de bem-estar já não são suficientes diante das novas exigências regulatórias.
Assim, a NR-1 amplia a necessidade de monitoramento, análise de dados e implementação de medidas preventivas relacionadas às condições emocionais e organizacionais.
Incorporar a avaliação de riscos psicossociais no PGR
Explicar que fatores ligados à saúde mental no trabalho agora devem ser identificados, avaliados e monitorados dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos.
Implementar medidas preventivas para reduzir riscos emocionais
Abordar ações práticas como revisão de jornadas, melhoria da comunicação interna, fortalecimento da liderança, prevenção do burnout e criação de ambientes psicologicamente seguros, bem como investir na implementação de programa de saúde mental nas empresas.
Oferecer suporte psicológico aos colaboradores
Mostrar como programas de apoio emocional, acompanhamento psicológico, escuta ativa e iniciativas de bem-estar ajudam na prevenção de afastamentos e na promoção da saúde mental.
Promover conscientização e treinamentos sobre saúde mental
Explicar a importância de capacitar lideranças e equipes para identificar sinais de sofrimento emocional, combater a cultura do estigma e fortalecer uma cultura organizacional mais saudável.
Monitorar indicadores e revisar continuamente os riscos ocupacionais
Destacar a importância de acompanhar dados como absenteísmo, turnover, estresse crônico, afastamentos e clima organizacional para atualizar estratégias preventivas e manter a conformidade com a NR-1.

Quais são os riscos e consequências do não cumprimento da NR-1?
Ignorar as exigências da NR-1, atualizada com a ampliação do conceito de riscos ocupacionais, pode trazer impactos financeiros, operacionais e organizacionais para as empresas.
Com a inclusão dos riscos psicossociais nas estratégias de gerenciamento ocupacional, a norma passa a exigir uma atenção maior sobre fatores que afetam a saúde emocional, a cultura organizacional e a rotina das equipes.
Entre os principais riscos e consequências do não cumprimento da NR-1, estão:
- Multas trabalhistas: o descumprimento das normas pode resultar em penalidades financeiras elevadas, sendo essencial adotar medidas para evitar multas da NR-1.
- Interdição de atividades: em situações mais graves, órgãos fiscalizadores podem suspender operações até que as irregularidades sejam corrigidas.
- Ações judiciais e passivos trabalhistas: colaboradores expostos a condições inadequadas podem acionar judicialmente a organização, ampliando custos jurídicos e riscos reputacionais.
- Aumento de afastamentos relacionados à saúde mental: fatores como cobrança excessiva, desgaste contínuo e ambientes desestruturados podem contribuir para casos de estresse crônico, ansiedade e burnout.
- Desorganização operacional: empresas sem processos estruturados tendem a enfrentar dificuldades no acompanhamento de indicadores, prevenção de riscos e tomada de decisão.
- Queda de engajamento e retenção: ambientes com alta tensão e sem gestão adequada de riscos psicossociais podem impactar negativamente na motivação, clima interno e permanência de talentos.
Além das penalidades legais, a falta de acompanhamento dos riscos psicossociais pode dificultar a identificação de problemas internos que afetam a dinâmica das equipes e a estabilidade das operações.
Como preparar sua empresa para as novas exigências da NR-1?
A adaptação às novas exigências da NR-1 exige mais do que ajustes documentais.
Com a inclusão dos riscos psicossociais no PGR, as empresas precisam desenvolver uma atuação mais integrada para acompanhar fatores ligados ao bem-estar mental que impactam a rotina corporativa.
O primeiro passo é entender como a rotina influencia o comportamento, a produtividade e as condições emocionais das equipes.
Isso envolve analisar práticas internas, identificar pontos de desgaste recorrentes e acompanhar indicadores capazes de revelar fragilidades operacionais e humanas, como, por exemplo, se existem fatores de risco do burnout.
Para estruturar esse processo de forma mais eficiente, algumas ações podem ajudar:
- Revisar políticas internas e fluxos de trabalho;
- Acompanhar indicadores relacionados à rotatividade e afastamentos;
- Fortalecer canais de escuta e comunicação;
- Capacitar líderes e gestores para identificar sinais de desgaste emocional, como depressão no trabalho;
- Atualizar o inventário de riscos ocupacionais;
- Integrar áreas responsáveis pela gestão de pessoas e saúde ocupacional;
- Registrar medidas preventivas e planos de acompanhamento.
Outro ponto importante é transformar a prevenção em uma prática contínua dentro das organizações.
Isso significa que ações relacionadas à saúde mental não devem acontecer apenas em campanhas isoladas, mas fazer parte da rotina da empresa de maneira estruturada e consistente.
Além de contribuir para a adaptação às exigências da NR-1, esse movimento também fortalece o employer branding, já que ambientes corporativos mais saudáveis tendem a impactar a percepção dos colaboradores, a retenção de talentos e a reputação da empresa no mercado.
Assim, ao se preparar de forma antecipada para as mudanças da norma, as empresas conseguem desenvolver processos internos mais organizados e criar ambientes alinhados às demandas das relações profissionais.

Como a BurnUp apoia empresas na gestão de riscos psicossociais?
Com as novas exigências da NR-1, acompanhar indicadores relacionados à saúde mental e desenvolver ações preventivas passou a fazer parte da rotina das empresas.
Nesse cenário, a BurnUp atua como uma consultoria estratégica em saúde mental corporativa, utilizando análise de dados organizacionais para ajudar empresas a identificar fragilidades internas, acompanhar indicadores e desenvolver ações voltadas à redução de riscos psicossociais.
A atuação da BurnUp inclui:
- Diagnóstico organizacional e análise de indicadores por meio da coleta e análise de dados relacionados a turnover, absenteísmo, produtividade e afastamentos para identificar padrões e fatores que impactam a saúde mental no ambiente corporativo.
- Plano de ação e acompanhamento estratégico a partir das análises realizadas, desenvolvendo ações voltadas à melhoria do ambiente organizacional, com acompanhamento contínuo junto às lideranças e de indicadores internos.
- Uso de dados para apoiar decisões mais estratégicas com uma abordagem orientada por People Analytics, compreendendo os impactos dos riscos psicossociais na operação, apoiando decisões relacionadas à performance, retenção e bem-estar das equipes.
Ao investir em acompanhamento emocional e prevenção, as empresas conseguem desenvolver estratégias mais alinhadas às novas demandas da NR-1, além de fortalecer o clima organizacional, a retenção de talentos e a qualidade de vida no ambiente de trabalho.
Empresas preparadas para a NR-1 reduzem riscos e fortalecem resultados
Ao longo do artigo, vimos que a atualização da NR-1 amplia a forma como as empresas devem lidar com saúde e segurança do trabalho, trazendo os riscos psicossociais para o centro das estratégias de prevenção.
É necessário adaptar processos internos a essa nova realidade, que agora faz parte das decisões relacionadas à produtividade, clima organizacional e sustentabilidade das operações.
Ao lado das empresas nesse processo, a BurnUp desenvolve soluções voltadas à saúde mental corporativa, com foco em análise organizacional, acompanhamento de indicadores e apoio estratégico para ambientes de trabalho mais saudáveis e preparados para as novas demandas da NR-1.
Sua empresa já consegue identificar os impactos que os riscos psicossociais têm na rotina, na produtividade e no desempenho das equipes?
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